30/05/2014
Cada passo que eu dava parecia que o mundo ficava ainda mais pesado. Todos os sentimentos que um dia eu já sentir se manifestaram em meu coração e era inevitável que as lágrimas não caíssem sobre meu rosto. Era uma segunda-feira com um enredo triste, pelo menos para mim. Definitivamente, eu não era e nem queria ser madura o suficiente para levar isso de mente tranquila e coração aberto.
Entrei na escola, olhando cada detalhe que antes era imperceptível para mim. Logo que entrei, a moça que dava boas vindas me recebeu com um grande sorriso, uma grande energia e me tratou tão bem, como todos os dias, mas naquele dia parecida ser ainda mais especial. Notei que as flores do jardim estavam ainda mais bonitas e que uma parede da escola tinha mudado de cor. Impressionante que somente quando vamos perder algo que amamos, é que notamos o quanto aquilo é importante para nós, mesmo seus mínimos detalhes.
Entrei na sala de aula, coloquei meus cadernos em cima da mesa e voltei ao corredor. Minha sala tinha uma vista linda da cidade, com muitas árvores, muitos prédios e eu não conseguia mensurar o quanto aquilo me faria falta no próximo ano. Estava lá perdida nos meus pensamentos, quando uma voz suave me disse: “Quem é a amiga mais linda do mundo inteiro e que fará o melhor projeto de Filosofia comigo?”. Um alivio quando ouvi aquela voz, a voz da pessoa que eu mais confiava. Era o Rafael, o meu melhor amigo, a pessoa que eu fazia meus projetos escolares, que me ajudava nas provas, que era um irmão para mim.
Quando virei para trás, com os olhos cheios de lágrimas, abracei ele com toda força, assustando-o um pouco com meu nervosismo. Ele disse: “Gabi, por que você está chorando. Aquele idiota do Cássio te fez alguma coisa?”. Cássio era meu namorado contra a vontade do Rafael, que achava ele a pessoa mais idiota do mundo. Naquele momento tinha esquecido das desavenças dos dois, e confesso, tinha esquecido que tinha namorado. Puxei o Rafael para um lugar mais tranquilo, e tentando não desabar ainda mais em lágrimas contei para ele: “Rafa, minha mãe me disse hoje que assim que eu sair de férias da escola vamos mudar para outro estado. Eu estou extremamente triste, não quero sair daqui, não quero terminar a escola em um lugar desconhecido, não quero ter que conquistar outras amizades, não…”
Ele fez um gesto de silêncio para que eu me acalme-se e disse: “Gabi, eu sinto muito e entendo sua revolta, mas vale a pena desperdiçar metade do líquido do seu corpo chorando por algo que você não pode mudar?” Detesto esse lado psicologo do Rafael, detesto esses conselhos e mais ainda, detesto quando ele está certo. Ele me abraçou novamente e disse: “Sabe, todos nós temos um caminho a seguir nesta vida. Talvez a sua história deve ser escrita num lugar longe daqui, para que sua vitória seja ainda mais iluminada. E se seu medo é que eu te esqueça, desista. Adoro amigos que moram longe para que eu possa passar as férias”. 
Como sempre ele conseguiu transformar algo ruim em algo bom em menos de 10 minutos. Talvez este tenha sido meu problema desde que acordei nesta manhã. Meu egoísmo não me deixa enxergar os possíveis pontos positivos que essa mudança possa agregar a minha vida. O sinal tocou para a primeira aula, levantamos para irmos para nossa sala e ele disse subindo as escadas: “Vamos fazer destes poucos momentos que seu endereço ainda é aqui, para fazer deles marcantes o suficiente para você nunca esquecer disso tudo, combinado?”. Parei naquele momento, respirei fundo, sequei o resto de lágrimas que estavam em meu rosto e disse a mim mesma que eu estava pronta para o desafio. Pulei nas costas do Rafael e disse: “Me ajuda a eternizar tudo isso?”. 
Ele respondeu sorridente puxando o celular para tirar uma foto nossa, dizendo “Esse é o primeiro dia do seu brilho, por dê um sorriso bem grande para nossa foto”. Depois do clique feito, a foto foi compartilhada nas redes sociais do Rafael com o seguinte trecho como legenda: “Vamos viver tudo que há pra viver, vamos nos permitir Gabi.”.
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Episódio 1 – Muito prazer, Gabi >> conheça aqui <<
Episódio 2 – Hora de Crescer, Gabi >> conheça aqui <<
Na próxima sexta-feira, continua a história da Gabi aqui no Deixe Apenas Fluir.

por Carolina Rabêlo
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